Namoro precoce: cinco motivos para fugir


Quando eu aconselho jovens que já namoram ou que querem começar a namorar, eu costumo falar sobre cinco motivos para evitarmos entrar muito cedo em um relacionamento deste tipo.




1. O motivo emocional;

Se você for muito novo, você ainda não estará emocionalmente bem formado para namorar. Ok, eu sei que não estaremos até os 30, ou 40, ou… estaremos um dia? Acho que não. Mesmo assim, você é o menos estável de todos. Ou você acredita que já é maduro o suficiente para amar uma mulher como Cristo ama a Igreja ou servir a um homem como uma Igreja serve a Cristo (Ef 5.22,25)? É irresponsável dedicar-se e se prender emocionalmente de um modo tão forte a alguém estando com seus sentimentos ainda em formação. Você vai acabar sofrendo ou fazendo outra pessoa sofrer – e sofrer assim nesta idade não é muito bom para a formação das emoções. Lembre-se, leitor, do fato de que muitos casam cedo demais por vários motivos (por terem tido concebido uma criança, por rebeldia contra os pais, pressão familiar ou desejo de sair de casa) e depois não possuem a maturidade emocional para levar até o fim esse desafio, o que resulta nessa massiva onda de divórcios que temos neste país. Por que não esperar você estar mais bem formado interiormente para seguir algo tão sério como um namoro?

2. O motivo psicológico;

Com muito tempo de namoro, você vai passar por lutas e dores psicológicas que podem ir além de sua capacidade de suportar. Esse ponto se manifesta de maneira diferente com os homens e com as mulheres. Homem, você vai, por exemplo, ficar deprimido por estar namorando há cinco anos e ainda não poder dar para sua namorada o casamento que ela tanto sonha. Alguns homens que conheço sofreram isso e, vá por mim, às vezes é excruciante. Mulheres, vocês passarão horas olhando vestidos de noivas na internet e chorando com o casamento de suas amigas. Por quê? Porque já está namorando faz oito anos, está louca para casar com a pessoa que você ama, mas não pode, pois são muito novos e não têm recursos para tal. Claro, não são essas as únicas crises psicológicas que afligirão vocês, mas são exemplos comuns. Esteja atento, também, que quando uma pessoa namora, todo seu corpo e sua alma começam a configurar-se para o matrimônio, para a sexualidade e para a interdependência. Manter essa tensão emocional e física por muito tempo faz desfalecer a alma, como diz Provérbios 13.12: “A esperança adiada desfalece o coração…”. Não quer passar por isso? Simples: espere o tempo certo para namorar e evite ter crises constantes que, se não for a graça de Deus, poderão te deixar arrasado(a).

3. O motivo acadêmico/profissional;

Seria bom pararmos de negligenciar o provérbio que diz: “Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família” (Pv 24.27). A Bíblia deixa claro que devemos primeiro cuidar de nosso trabalho, devemos deixar pronta a nossa lavoura, antes de constituirmos uma família. Se negligenciarmos esse dito bíblico… sabe aquele seu mestrado de dois anos na França ou seu Doutorado de quatro anos no Japão? Esqueça. Você não vai conseguir passar tanto tempo longe da pessoa que você tanto ama – mas você é apaixonado por sua profissão e deseja, muito, se especializar! O que fazer? A menos que você faça isso depois de algum tempo de casado e/ou sendo bem remunerado para estudar, você ou termina seu namoro ou desiste dos estudos. Ou, em último caso, namora a distância por uma infinidade de tempo, sofrendo e fazendo a outra pessoa sofrer. Ou então você deixa para namorar depois de passar por essas fases, evitando sofrimento desnecessário e se qualificando de acordo com seus planos.

4. O motivo ministerial;

Com raríssimas exceções, você ainda não sabe se será chamado para o ministério ou não. Então, considere que em poucos anos você é capacitado por Deus para ser um pregador razoável e sente ardendo dentro de você um repúdio por estudar qualquer outra coisa e uma chama por se dedicar à teologia, ao ensino e ao cuidado. Você quer largar o estágio, largar a universidade e ir fazer um seminário. Acredito que essa seria uma linda história de dedicação ao evangelho. Pena que você tem uma namorada que ama muito e luta para casar com ela. Você ficará, como dizem, entre a cruz e a espada. No fim das contas, ou você deixa para trás sua namorada para perseguir o ministério ou você adia seus estudos e suas preparações. Como Paulo ensina, os solteiros podem dedicar-se mais intensamente à obra do Senhor (cf. I Co 7.32). Saiba: esse mesmo texto de Coríntios deixa claro que o casado deve buscar agradar o cônjuge. É antibíblico negligenciar a família para fazer missões ou algo parecido. Receba sua juventude como um momento propício para dedicar-se ao Senhor de um modo que você não poderá namorando ou casado – se não: passar dois anos na África pregando o evangelho? É bom desistir… ou então, você deixa para namorar depois que tiver alguma luz sobre o caminho que deve traçar.

5. O motivo sexual.

Embora eu sempre o apresente por último, é provável que ele seja o mais forte. Namorar cedo é pecado? Não. Mas lhe levará ao pecado tão certamente que deveria ser considerado quase que como tal. Entenda, pecar sexualmente com sua (eu) namorada (o) é um dos pecados mais horríveis e devastadores de todos. A maioria dos homens que duvidam de sua salvação aponta pecados sexuais com a namorada como principal fator disto. Além do mais, se devemos amar nossas esposas (consequentemente, nossas namoradas) como Cristo amou a Igreja (Ef 5.25), devemos seguir o exemplo de Cristo, que morreu para que sua noiva seja “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.27). Morra para que sua namorada seja livre de todo pecado sexual: deixe para namorar apenas quando você estiver, em algum nível, próximo de ter condições para levá-la ao altar, em matrimônio.

Claro, dependendo do caso e do casal, um motivo pesará mais que outro; mas, ainda assim, todos esses pontos acabarão ferroando-os de algum modo. Por isso, acredito que namorar cedo não é uma boa ideia. Embora eu ame minha futura esposa, eu sei que fui um garoto imaturo em namorar ela ainda com meus 15 anos. Louvo a Deus por me ajudar em meu erro e nos ajudar, dia após dia, a crescer em santidade.

Uma consideração final: se você é muito jovem e já namora, não acho que terminar seu namoro por causa destes pontos seja uma boa ideia. Como eu disse, namorar cedo não é pecado em si mesmo, embora seja problemático e possa levá-lo a pecar. Então, entregue seu relacionamento a Deus e lute para vivê-lo de acordo com as Escrituras. Sofra o que precisar sofrer, perca o que precisar perder, lute o que precisar lutar. Ame a pessoa que você ama e perca tudo por ela – quer seja estudo, dinheiro, ministério ou qualquer coisa. Porém, fique ciente do que virá pela frente e aguente tudo na força de Deus. Se você tem pecado contra Deus em seu namoro ou tem sofrido alguns dos problemas que citei aqui, olhe para a cruz dAquele que levou todo o seu pecado e confie na Graça de Deus para te purificar e te manter santo.

Se você não namora ainda, ore a Deus, medite nestes pontos e, vai por mim, espere o momento mais propício para namorar. Como Disse Cristo, “… qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?” (Lc 14.28). Medite bem se esse é o momento certo para um namoro. Há tempo para tudo debaixo do sol, tudo tem um tempo determinado (cf. Ec 3) – Deus enviará seu parceiro(a) no tempo dEle (cf. Pv 19.14).





1 comentários:

António Jesus Batalha disse...

Seu blog é muito bom, gostei de tudo o que vi e li, dou-lhe meus parabéns. Gostei como abordou o assunto, são fundamentais estes cinco pontos, eu tinha por hábito ensinar que uma das bases era a certeza da vontade de Deus, e foi isso que fiz antes do meu namoro, durante dois meses oramos afim de Deus nos dirigir para a Sua vontade, Tivemos a resposta e graças a Deus já lá vão 40 e pouco anos.
Com votos de grandes vitórias na sua vida.
PS. Se desejar faça uma visita e deixe seu comentário. Se pretender seguir saiba que irei retribuir.
Sou António Batalha.

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